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Rômulo de volta ao Japão

Monday, 18 September 2006

Promessa feita, promessa cumprida. Aqui vão relatos dos últimos fatos (últimos meses, na verdade) do que tem acontecido por aqui. Preparem-se, pois é um post longo. Talvez eu separe ele em tópicos, ou com títulos chamativos ao olhar, ou talvez desista da idéia antes mesmo de pô-la em prática. Só posso dizer é que este texto não tem revisão, nem ortográfica nem sintática, e se ele fará sentido ou não dependerá única e exclusivamente do grau de conhecimento do leitor acerca da minha pessoa e do meu modo de me expressar. Chega de besteira, vamos ao que interessa.
 
Cerimônia de encerramento do curso de japonês
 
Em ordem cronológica, vamos à primeira e curta história do dia: a cerimônia de encerramento do curso de japonês. Para aqueles que não sabem, tive um curso de japonês intensivo que é praticamente obrigatório a todos aqueles que recém-chegam ao Japão, e no caso à Universidade de Tokyo. Após um longo semestre de quatro meses (conte comigo: abril, maio, junho e julho. 4, certo?), atingimos o clímax com a cerimônia de encerramento. Todos os alunos reunidos em um auditório, pequeno até, os professores de japonês nas laterais e palestrantes que se revezavam entre professores, diretores e alunos, todos com seus devidos textos bem decorados. Intermediando todo o rito estava a entrega dos diplomas, simbólicos apenas, como disse um professor no primeiro dia de aula ("não vale nada, é só para apresentar ao seu professor mesmo"). Devidamente terminada a cerimônia, fotos e mais fotos de todas as turmas, fossem turmas de amigos, fossem turmas de alunos, com ou sem professores, conhecidos etc. Vamos então a um pequeno buffet em um dos restaurantes do campus, tudo oferecido pelo instituto de ensino de japonês. O buffet foi interessante, misturava diversos petiscos japoneses, como frango frito, bolinhos de carne cozidos no vapor (“shumai”), yakisoba, saladas e outras coisas que a falta de memória me impede de escrever. Mais discursos durante o buffet e uma boa prosa ébria com meu colega de sala tcheco, regada a cerveja Asahi e o que quer que estivesse por cima das mesas. Fim da cerimônia, fim da celebração, fim do curso de japonês. Fim.
 
Viagem a Shimoda
 
Tudo ia feliz e tranquilo na minha vida até que chegou o dia da viagem a Shimoda. Explico: no mês anterior fui intimado pelas minhas amigas japonesas a viajar com toda a turma da faculdade de português do ano delas em uma excursão à praia na península de Izu (procurem no mapa!), na região de Shimoda. Essas excursões são chamadas de Gasshuku, e normalmente acontecem entre membros de clubes de esportes, cultura etc das faculdades e escolas. Mas o povo dessa turma de português se relaciona bem, então lá foram todos em duas vans para Shimoda.
Aqueles que me conhecem sabem como eu adoro praia. Nossa, nada como a água do mar salgada, a areia entrando nos vãos dos dedos do pé e saindo apenas com o banho em casa, depois que você já encheu toda a casa de areia; nada como o sol queimando, deixando aquele vermelhão na pele que vai fazer você lembrar com prazer por toda a semana que, ufa, fui à praia! Enfim, aqueles que me conhecem sabem que eu não suporto praia a não ser que eu vá fantasiado de um bom gringo: tênis, meia, bermuda, camiseta e toneladas de protetor solar. E lá estava eu, por dois dias, fritando na praia. Ficamos em uma pensão pequena e caseira (para não dizer rústica), e passamos os dois dias em meio aos jogos de praia (que os japoneses adoram, ao invés de dormir como nós fazemos), o churrasco brasileiro ajaponesado na primeira noite e os longos engarrafamentos mais tradicionais que o teatro Nô e o Kabuki na ida e na volta. Dos jogos de praia posso destacar: corrida, quebra da melancia (quem viu meu álbum no orkut deve ter notado minha foto na praia com o pessoal e a melancia), fogos de artifício à noite e outros. Voltei feliz e contente, cheio de histórias para contar conquistadas em apenas dois dias
 
O Churrasco de Komaba
 
Na volta da viagem me dei conta de que iríamos organizar uma churrascada aqui em Komaba e tinhamos pouco tempo para isso. Na verdade não, mas só digo isso pra deixar a narrativa mais dramática. De qualquer modo, o parque Komabano (o nome é esse mesmo!) estava reservado havia dois meses, e era chegada a hora da carne assar. Depois de alguns anúncios do churrasco em três listas de e-mails dos bolsistas e brasileiros em geral no Japão, chegamos a uma impressionante lista de 57 confirmados (acho que era esse o número). Bem mais do que haviamos planejado, mas nada impossível. Resolvi então enviar às listas sobreditas a lista daqueles confirmados, para que tivessem a certeza de que teriam seu quinhão de carne garantido.
Porém (e sempre há um porém), havia eu percebido uma engraçada coincidência. O churrasco de Gifu, província ao norte da cidade de Nagoya, tradicional churrasco anual que congrega bolsistas de todo o Japão, estava para ocorrer no mesmo dia! Engraçado, não? Eu, em minha imensa inocência, achei que era uma boa oportunidade para inserir no topo da lista dos confirmados uma pequena piada, que em minha cabeça fez todo sentido naquele momento. Apelidei o churrasco nosso, de Komaba, de Anti-Gifu. Nossa, foi um apocalipse. Jamais em tempo algum, se viu tamanha discórdia surgir nos corações dos envolvidos em todas as partes, e recebo então, através da lista, dias depois, um e-mail exigindo, demandando minhas desculpas, já que o impropério inominável havia causado desconforto em muitas pessoas. Tenho até medo de escrever sobre esse causo aqui visto que posso provocar outros desconfortos ainda maiores, quem sabe até mesmo ser privado da convivência de pessoas que admiro e por quem tenho apreço. No fim, para encurtar a história, tive que pedir muitas desculpas, várias vezes, escritas e orais, para que todo o clima de mal-entendido cessasse e nossas vidas pudessem voltar a correr na mais santa paz. Moral da história: jamais faça uma piada àqueles que não te conhecem. Eles podem se ofender. Essa nem o He-Man sacou em tantos episódios cheios de moral. E ponto final!!!
 
A Viagem
 
E aí, como está o Vale a Pena Ver de Novo? O Alexandre anda perturbando muito, de novo? E vale a pena?
Apesar do título não vou falar (mais) da novela. Esta é a viagem que fiz com o Miura, amigo e irmão komabense, pelo Japão. Estava eu tranquilo no meu canto, sem incomodar ninguém e ainda remoendo a história anterior (“o q foi q eu fiz de mal? Eu sou tão legal com todo mundo...”) quando o Miura me diz: vamos viajar? Que viajar que nada, vou ficar em Tokyo, tenho coisas pra fazer. Depois de um longo tempo, talvez o intervalo entre o primeiro e o segundo copo de choppe, me convenci de que deveria viajar e tentar incomodar o máximo de pessoas possível para não gastar dinheiro com hospedagem. Brincadeira...
Fomos então para Hiroshima. Foi um longo dia de viagem, o primeiro, com 18 horas de trem, 9 baldeações, tudo coroado com uma noite mal-dormida em um cyber café. Dia seguinte visitamos o Parque da Paz, o Genbaku Dome (antigo Hall da Indústria e Comércio de Hiroshima, cuja estrutura sobreviveu à bomba) e o Museu da Bomba de Hiroshima. Sempre rodeados de chuva e ensopados até a alma. Fomos então para o hotel, onde largamos as malas e corremos aproveitar o dia para ir até Miyajima, ilha ao sul de Hiroshima. Lá vimos o Torii flutuante (um portão construído no meio do mar), comemos (de novo) okonomiyaki de Hiroshima e voltamos ao hotel.
Tenho que abrir aqui um parágrafo novo apenas para comentar essa descoberta: o okonomiyaki de Hiroshima. Sempre que inquirido sobre minha comida favorita no Japão tinha dificuldade de responder, enrolava dizendo que era sukiyaki, mas o okonomiyaki de Hiroshima me conquistou. Agora, perguntam-me, pq cargas d’água o Rômulo insiste em escrever okonomiyaki de Hiroshima, e não apenas okonomiyaki? E afinal, o que é okonomiyaki. Calma, tudo a seu tempo. Okonomiyaki é um tipo de panqueca frita onde na massa se mistura repolho, carnes, frutos do mar, enfim, tudo que se gosta. Aliás, o nome significa isso mesmo: Okonomi é favorito, o que se gosta, e yaki, assim como em yakisoba, é frito na chapa. E pq o de Hiroshima é especial? Pq ele leva yakisoba e ovo na receita, e isso faz TODA a diferença. É um prato completo, com muito repolho, vegetais e carnes, agregados na massa de okonomiyaki e ovo. Cobrindo essa beleza, o molho agridoce do okonomiyaki e um pouco de maionese, regado com nori (alga) em pó. E em Miyajima comemos okonomiyaki com dois ingredientes sensacionais: ostra e chikuwa de anago (chikuwa = uma espécie de salsicha de peixe, anago = enguia). Foi simplesmente o suficiente para tirar todas as minhas dúvidas acerca do meu prato preferido da culinária japonesa.
Saímos de Hiroshima no dia seguinte, após uma breve visita ao castelo de Hiroshima (Hiroshima-jo). Fomos então de shinkanses (o trem-bala) até Himeji, cidade da província de Hyogo, onde fica o maior castelo do Japão: o Himeji-jo (deu pra perceber que esse “-jo” significa castelo?). Realmente é impressionante, muito bonito, e o parque em volta deve ser mais bonito ainda na primavera com as cerejeiras ou no outono com as folhas vermelhas. Ainda volto lá. Depois de Himeji fomos para Osaka, uma das cidades mais conhecidas do Japão e mais características. É difícil explicar o que torna Osaka tão especial: a diferença dos japoneses de lá para o resto do Japão, seus comediantes, sua culinária rica, sua mania de se achar extremamente especial, talvez... De qualquer modo, a impressão que se tem é que você entrou em outro país sem tirar o passaporte do bolso.
Chegamos cansados e corremos então a encontrar um amigo meu do Rio, Joelson. Ficamos apenas uma noite no dormitório dele, pois o esquema por lá era bem rígido, quase sufocante, impossível de permanecer, e no dia seguinte passamos a um albergue. Nem toda economia vale a pena. Enfim, aproveitamos então o dia livre para visitar Osaka mesmo, o castelo de Osaka (adivinha o nome? Osaka-jo!), o centrão de Nanba e Dotonbori com seus pontos turísticos típicos: um caranguejo gigante, um manequim de palhaço e uma propaganda da empresa Glico. No fim do dia encontramos amigos que moram em Osaka e voltamos ao albergue. Que diacho, o albergue fechava às 10, então tínhamos que sair às 8 pra poder chegar e tomar banho ainda, pq banho também não podia depois das 10! Vai entender...
Dia seguinte, Nara! Beleza de cidade pequena, com grandes monumentos (o maior buda de bronze do Japão, com 16 metros!), museus e um acidente de trânsito que aconteceu na nossa frente. Nada sério, mas foi estranho ver o velho que vinha atrás com o caminhão discutir e ofender a mulher que dirigia na frente dele em um pequeno carro popular. Ele estava errado, certo? Afinal, que está atrás sempre está errado!
Dia seguinte, saímos enfim de Osaka e fomos finalmente para um dos grande objetivos da viagem: Kyoto! A capital cultural do Japão, povoada de templos, castelos e tudo o mais que a imaginação possa pedir sobre cultura japonesa. Chegamos no sábado à noite, e no domingo de manhã já estávamos de pé cedo. Ficamos na casa da família de uma amiga minha (Obrigado, Yuko!), a família Tanaka, e no domingo o Tanaka-san, pai, nos levou por um tour ultra-rápido e acelerado de carro por todos os pontos principais da cidade. Nada como um dia de carro para descansar de visitas à pé por dias seguidos. Na segunda vimos a fabricação dos doces que o Tanaka-san faz: balas e mais balas. Infelizmente a minha grande preferida, a bala de café, aparentemente saiu de linha. Tomara que volte um dia. Fomos então andar pela cidade, vimos alguns poucos pontos turísticos nesse dia e passamos um hora (acho) no karaokê, para matar o tempo um pouco e relaxar. Eu não sei o que acontece, mas o ambiente do karaokê aqui não lembra em nada os videokês do Brasil... Aqui é tão mais legal... hehehehe...
Fim do dia, comemos uma bela e reforçada janta da mamãe Tanaka-san. Banho tomado, vamos dormir quando... liga o Tanaka-san, que não estava em casa. Rômulo-san, tudo bem? Cansado? Pq não aproveitamos a sua última noite em Kyoto para sair? E lá fomos nós, tarde da noite, nos encontrar no centro. Tanaka-san pai e colega-do-Tanaka-san-san nos levaram então para bebericar caras e coloridas bebidas em um bar à beira do Kamogawa (Rio dos Patos), e para terminar... karaokê! Se não bastasse o tempo passado no karaokê à tarde, fomos abençoados por mais duas horas e meia de música. E pior, na mesma loja em que havíamos ido à tarde!!! Mas dessa vez pegamos as salas mais caras, premium, com tela de plasma e drinques mais interessantes.
À manhã seguinte retomamos a jornada, deixando Kyoto para trás e rumando para Hikone. Ah, pequena cidade de Hikone... com seus cem mil habitantes, grandes caminhões (quanto menor a cidade, maiores são seus caminhões, regra do Japão), oitocentos e tantos brasileiros e um castelo pequeno, mas com um museu anexo fenomenal. Hospedamo-nos novamente em casa de amigos, desta vez amiga do Miura, e no dia seguinte seguimos ao último ponto da viagem: Nagoya!
Chegamos em Nagoya cedo até, mas encontramos uma amiga minha que eu não via desde que voltara ao Brasil, e fiz questão de passar um tempo com ela. Após umas quase três horas de conversa e boas risadas, finalmente fomos para o dormitório dos brasileiros de Nagoya. Tive medo que fosse impossível como o dormitório de Osaka, mas qual foi minha surpresa ao ver que nem ao menos guarda tinha! Tranquilidade absoluta, fomos dormir tarde e por isso no dia seguinte tivemos tempo apenas de ver um prédio que o Miura tinha de ver por causa da pesquisa dele de arquitetura e voltar para Tokyo, dessa vez de shinkansen.
Acho q é isso. Ah, peço àqueles que tiveram a paciência de ler até aqui e queiram por acaso comentar: deixem seus nomes! Fica difícil identificar quem é o autor do comentário sem nome! Por favor! Chega, já escrevi demais hoje. Boa noite pra quem é de boa noite e bom dia pra quem é de bom dia!
posted by RomuloEhalt | 09/18/06 04:45 | comments (9)


Saturday, 02 September 2006

Update! Tá, ainda não... tenho muita coisa pra contar, e vai ter q ser meio logo pq na terça, dia 5, vou viajar! Tomara que dê tempo até lá. Por enquanto posso deixar aqui, meio como um lembrete para mim mesmo, que tenho que contar sobre o churrasco daqui de Komaba (e a confusão que houve por uma brincadeira besta minha), minha viagem pra Shimoda (meu primeiro Gasshuku, explico isso depois), e acho que até a cerimônia de encerramento do curso de japonês na Todai, acho que ainda não falei dela... Depois conto as coisas direito!
posted by RomuloEhalt | 09/02/06 01:47 | comments (3)

O Rômulo ficou maluco? Perdeu a cabeça? Comeu cocô? Não, ele só está de volta ao Japão!